Posts filed under ‘política’

O 9º ano e a aula de música: piadas sem graça do ensino brasileiro

De tempos em tempos uma boa iniciativa surge e você tem um pouco de esperança no Brasil.

As duas últimas notícias sobre a educação brasileira que me deixaram feliz e fizeram com que eu acreditasse numa sociedade melhor foram a obrigatoriedade de aula de música e a inclusão de mais uma série no ensino fundamental, o 9º ano.

Mas eis que vem aquela velha calhordice brasileira de fazer tudo nas coxas e do jeito mais fácil e estraga uma boa oportunidade. Como eu trabalho com livros infantis, tive acesso às informações e vi que:

1. Como não há muitos professores especializados em música, as escolas particulares resolveram simplificar tudo e transformar a linda aula de música em uma aula de hinos.

2. O 9º ano é uma lenda. Na verdade, a única coisa que mudou foram os nomes: o antigo pré passou a se chamar 1º ano e, consequentemente, a 8º série virou 9º ano.

Assim, tudo continua do mesmo jeito, a sociedade não muda e os brasileiros continuam reclamando que o governo é que não presta e por isso o Brasil não vai pra frente.

maio 11, 2009 at 12:23 pm Deixe um comentário

Aonde estão os pensadores?

Durante as décadas de 60, 70, 80 e até mesmo 90, não faltavam pensadores dizendo que outra realidade era possível, criticando o capitalismo, dizendo que o sistema não se sustentava, que era perverso, o causador das chagas do mundo.

É fácil criticar um poder que parece eterno.

Mas, agora que o “grande vilão” está ruindo, aonde estão estas vozes? Por que até agora não li Eduardo Galeano dizendo que um novo mundo pode ser construído? Aonde está nosso Marx, nosso Che?

Esta é a hora de propor novas possibilidades, de realmente mudar o mundo para algo novo. É a hora de os idealistas se manifestarem. O que será que todas as pessoas que se reúnem todos os anos para protestar contra o G-8 têm em mente? Se os protestos realmente funcionassem, elas não saberiam o que dizer?

Será que os escritores não passam de meros sonhadores? Será que os protestos eram apenas uma anestesia para continuar vivendo no mundo se sempre?

Diante de um mundo em crise, tudo o que se vê é o silêncio daqueles que antes gritavam.

abril 6, 2009 at 9:13 am 1 comentário

Kassab x Marta: mais uma vez o partidarismo disfarçado

Domingo tivemos o debate da Record entre os dois candidatos à prefeitura de São Paulo: o atual prefeito Kassab e a ex-prefeita Marta.

Durante o debate, Marta fazia perguntas à Kassab e ele, ao invés de responder, começava todas as respostas com um textinho de abertura e aproveitava para fazer propaganda e criticar a ex-prefeita. Tanto é que na tréplica, Marta precisava repetir a pergunta que não havia sido respondida.

Para mim ficou claro quem foi o vencedor do debate: Marta. Não porque sou contra o Kassab nem nada disso, mas acontece que as respostas dela foram melhores e ela não fugia às questões de Kassab, como ele fez todas as vezes.

Porém, hoje no Estadão há uma enquete em que os leitores definem quem foi o vencedor. Kassab ganha com mais de 10 mil votos de diferença.

É de se espantar? Não. Apesar de ótimas idéias que o jornal tem implantado, como o Vereador Digital e as sabatinas on-line, suas matérias deixam claro quem é o preferido dos editores. Basta ler essa aqui. Observe que eles não ouviram o lado da Marta, apenas o de Kassab e ainda por cima priorizaram todas as respostas do prefeito.

“Votei no Pitta, depois me afastei”, diz Kassab

Candidato aproveitou para revidar as críticas da petista, acusando-a de estar ao lado da ‘turma do mensalão’

Uma das aspas do candidato na matéria: “Eu apenas consultei se ela tinha se afastado da turma do mensalão. Ela não respondeu. É evidente que não (se afastou).”

Porque não há aspas assim da Marta? O jornalismo não deveria ser imparcial? O interesse não é informar o leitor?

E o pior de tudo é que não dá para criticar esta matéria através dos comentários.

outubro 20, 2008 at 1:11 pm 2 comentários

A blogagem coletiva contra o jornalismo partidário

Descontentes com o jornalismo atual, que é fortemente partidário, vários blogueiros abriram sites sobre política. Alguns jornalistas, como o Azenha e o Paulo Henrique Amorim, enriqueceram esta batalha, montando sites denuncistas, que contavam, a partir da experiência destes grandes jornalistas, como a mídia manipulava as matérias.

O Conversa Afiada, de PHA, que era hospedado no IG, incomodou e foi tirado do ar sem maiores explicações. Agora, o jornalista criou um endereço próprio, onde escreve o que deseja.

Já Azenha, foi mais longe. Além do portal Viomundo, criou o coletivo Sivuca, que reúne sites sobre política. Basta escrever um e-mail para o jornalista manifestando sua vontade de integrar o portal, que ele é incluso.

O Sivuca gerou outro filho: o MSM, Movimento dos Sem Mídia, criado por Eduardo Guimarães, que evoluiu para uma ONG, formada por cidadãos, que visa supervisionar os abusos midiáticos. Eles organizaram manifestos em frente à Abril, à Globo e à Folha, clamando por uma mídia que representasse suas opiniões e por um jornalismo imparcial e não-manipulador.

Conversei com Eduardo sobre o MSM e sobre o que ele espera antigir com o movimento.

Quando surgiu a idéia de criar o MSM?

Surgiu quando a mídia começou a pressionar o Senado e a Folha publicou a conversa do ministro do STF Ricardo Lewandovsky dizendo que votou [no caso do mensalão] com a faca no pescoço. Achei que aí a mídia tinha ido longe demais. Convoquei meus leitores para tomarem uma atitude e eles aderiram.

Você não tem medo que o MSM não vingue?

Eu tenho medo é de não tomar atitudes. Pior do que ser derrotado é ter medo de lutar.

Que futuro você prevê para o movimento?

Um futuro de luta, de dificuldades, mas um futuro necessário.

Com blogs como o Vi o Mundo, a rede Sivuca e o Conversa Afiada, você acredita que o MSM é realmente necessário? Não acha que as coisas estão tomando um rumo que vai levar à mudança da mídia com ou sem o movimento?

Quem acha que lutar por meio de sites e emails funciona, pirou. A mídia dá risada disso. Luta é na rua. Blogs, emails e sites só servem para mobilizar, não para lutar. E o problema deste país é justamente as pessoas acharem que não é preciso fazer nada porque tudo se resolve sozinho.

Um movimento como o MSM é revolucionário. Ao longo da história, atitudes como essa foram tomadas pelos jovens, em especial os universitários. Acredito que você seja da geração de 60, que era revolucionária. O que pensa da juventude de hoje? Acredita que ela é reacionária? A mídia é responsável por essa nova mentalidade jovem?

A juventude de hoje não tem ideais, é exclusivista. A culpa é da mídia e da minha geração, que quis superproteger os filhos e criou uma geração de acomodados e egoístas, salvo as honrosas (e poucas) exceções.

maio 29, 2008 at 12:16 pm 1 comentário

Final político em Duas Caras

Personagem Evilásio servirá para criticar LulaA novela de Aguinaldo Silva já é marcada desde o começo por polêmicas e pela presença da política, que fica evidente agora na disputa de Evilásio, personagem de Lázaro Ramos e Juvenal, o líder comunitário e bandido interpretado por Antônio Fagundes.

Como toda novela das oito da Globo, ela toca em temas polêmicos, que nem são assim tão polêmicos. Logo no começo, houve o namoro entre o personagem Evilásio, pobre e preto, e Júlia, a riquinha branca interpretada por Débora Fallabela. Até aí, nada de novo. Não sei porque esses autores ainda acham sensacional explorar esses assuntos como o homossexualismo e o racismo. Parece que eles fazem mais o favor de manter o preconceito do que de combatê-lo, como eu acho que eles desejam.

Ok. Agora, para o gran-finale, Aguinaldo resolveu mostrar seu lado político pessoal. Em entrevista à Folha, revelou que Lázaro será eleito vereador, e deu uma clara alfinetada em Lula, sem mencionar nomes: “Esse é o destino de todo político bem intencionado, não é? Cair no populismo,virar demagogo, renegar as próprias idéias, e se aliar ao que existe de pior na política na ânsia de garantir a própria sobrevivência. Estou lembrando alguém com minhas palavras?… Evilásio vai ser eleito vereador – não vou dizer como é que ele vai conseguir isso, já que o Juvenal é favorito – e terá que rebolar muito pra não se tornar um político igual aos outros.”

Até aí, ok. Alfinetar o presidente é coisa comum… mas o que foi realmente surpreendente foi o que ele disse em seguida, sobre o final de Gioconda, fazendo uma grande promoção ao fracassado movimento político “Cansei”, que chegou a virar piada. Ela será consagrada no final da novela ao liderar um movimento chamado “Chega!”, que dará voz à classe média. Isso foi péssimo. Além disso, criticou Dilma, lógico.

“Gioconda vai fundar um movimento social intitulado “Chega!”, destinado a canalizar a revolta da classe média contra “tudo que está errado neste país”. E vai se tornar uma líder, com grande responsabilidade política. Talvez seja até lançada como candidata à Presidência por um pequeno partido, concorrendo assim com a ministra Dilma! Agora me diz: em qual das duas você votaria, na Dilma ou na Marília Pêra?… Eu, por exemplo, não tenho dúvidas, é Marília na cabeça.”

Criticar é sempre bom, mas fazer propaganda barata do movimento de amigos e apoiar algo dessa maneira num instrumento de manipulação de massa tão poderoso quanto uma novela da Globo, é sacanagem.

abril 16, 2008 at 9:34 am 3 comentários

O caso do mensalão mineiro

Acho que esse é uma das provas mais fortes do partidarismo midiático.

Lembro-me de que quando estourou o mensalão do PT, todo mundo fazia um estardalhaço, como se ninguém suspeitasse de uma coisa dessas. Em uma edição do Jornal Nacional, que citava as pessoas suspeitas de envolvimento no escândalo, sempre que mencionavam alguém do PT, faziam um efeito especial dramático com uma estrelinha vermelha na foto. Quando vi, achei ridículo. Não sabia se ria da breguice da Globo ou chorava pelo efeito que aquilo causaria na sociedade.

Agora que o mensalão estourou pro lado do PSDB, ouvi falar aqui e ali, li algumas matérias que não continham toda aquela emoção de quando acontece com o PT, e não passou disso.

Quando procurei por “mensalão tucano“, só encontrei algumas matérias chochas e uns blogs criticando o caso, como este meu blog.

Quando procurei por “mensalão mineiro“, só deu jornal.

Por que a mídia não rotulou de “mensalão tucano”, como de praxe? Que eufemismo é esse?

É nessas que você vê que o que escrevo aqui, o que escrevem no Sivuca, ou então o MSM – Movimento dos Sem Mídia – do Eduardo Guimarães não é puro fanatismo. Nós não estamos loucos, qurendo encontrar uma saída porque o PT é corrupto e não queremos enxergar, como nos acusam tantas vezes. Aliás, não somos nem petistas. Apenas abrimos os olhos diante dessa cortina de fumaça que a mídia faz e queremos denunciar.

outubro 3, 2007 at 11:17 am 4 comentários

O melhor do Brasil é o brasileiro

Samba, caipirinha, futebol, carnaval. São várias as idéias positivas disseminadas sobre o Brasil no exterior. Para os gringos, o Brasil é um paraíso. Desde sempre, ouvimos boatos sobre a hospitalidade brasileira, as mulheres maravilhosas, a alegria do povo e as belezas naturais do país. Acontece que, ao olhar mais de perto para o país do “jeitinho”, vemos que as coisas não são bem assim.

A idéia de que o Brasil só não é uma maravilha maior que seu povo é totalmente errada. Não passa de um slogan para fazer com que o turismo melhore. Acreditar nisso é a mesma coisa que acreditar que todo mexicano é preguiçoso e todo francês, antipático. São rótulos que simplificam as características de um povo para depois classificá-lo. Quem nunca ouviu o slogan do governo atual, que alega que o melhor do Brasil é o brasileiro? Ou então, aquela música do Raul, também usada nas propagandas federais, que diz que o brasileiro não desiste nunca?

Acontece que o brasileiro aceita esses rótulos porque tem baixa auto-estima. Apesar de o brasileiro saber que não vive bem, que seus governantes são corruptos, que o país poderia estar melhor, não faz nada a respeito, além de piadas. A verdadeira serventia dos mitos sobre a população brasileira é fortalecer a característica subserviente deste povo, que agüenta todas as dificuldades e ainda ri delas. Aproveitando mais um mito, o Brasil é, e sempre foi, o país do futuro. Mas até quando?

setembro 25, 2007 at 11:00 am 8 comentários

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