A blogagem coletiva contra o jornalismo partidário

Maio 29, 2008 by Carolina Castro

Descontentes com o jornalismo atual, que é fortemente partidário, vários blogueiros abriram sites sobre política. Alguns jornalistas, como o Azenha e o Paulo Henrique Amorim enriqueceram esta batalha, montando sites denuncistas, que contavam, a partir da experiência destes grandes jornalistas, como a mídia manipulava as matérias.

O Conversa Afiada, de PHA, que era hospedado no IG, incomodou e foi tirado do ar sem maiores explicações. Agora, o jornalista criou um endereço próprio, onde escreve o que deseja.

Já Azenha, foi mais longe. Além do portal Viomundo, criou o coletivo Sivuca, que reúne sites sobre política. Basta escrever um e-mail para o jornalista manifestando sua vontade de integrar o portal, que ele é incluso.

O Sivuca gerou outro filho: o MSM, Movimento dos Sem Mídia, criado por Eduardo Guimarães, que evoluiu para uma ONG, formada por cidadãos, que visa supervisionar os abusos midiáticos. Eles organizaram manifestos em frente à Abril, à Globo e à Folha, clamando por uma mídia que representasse suas opiniões e por um jornalismo imparcial e não-manipulador.

Conversei com Eduardo sobre o MSM e sobre o que ele espera antigir com o movimento.

Quando surgiu a idéia de criar o MSM?

Surgiu quando a mídia começou a pressionar o Senado e a Folha publicou a conversa do ministro do STF Ricardo Lewandovsky dizendo que votou [no caso do mensalão] com a faca no pescoço. Achei que aí a mídia tinha ido longe demais. Convoquei meus leitores para tomarem uma atitude e eles aderiram.

Você não tem medo que o MSM não vingue?

Eu tenho medo é de não tomar atitudes. Pior do que ser derrotado é ter medo de lutar.

Que futuro você prevê para o movimento?

Um futuro de luta, de dificuldades, mas um futuro necessário.

Com blogs como o Vi o Mundo, a rede Sivuca e o Conversa Afiada, você acredita que o MSM é realmente necessário? Não acha que as coisas estão tomando um rumo que vai levar à mudança da mídia com ou sem o movimento?

Quem acha que lutar por meio de sites e emails funciona, pirou. A mídia dá risada disso. Luta é na rua. Blogs, emails e sites só servem para mobilizar, não para lutar. E o problema deste país é justamente as pessoas acharem que não é preciso fazer nada porque tudo se resolve sozinho.

Um movimento como o MSM é revolucionário. Ao longo da história, atitudes como essa foram tomadas pelos jovens, em especial os universitários. Acredito que você seja da geração de 60, que era revolucionária. O que pensa da juventude de hoje? Acredita que ela é reacionária? A mídia é responsável por essa nova mentalidade jovem?

A juventude de hoje não tem ideais, é exclusivista. A culpa é da mídia e da minha geração, que quis superproteger os filhos e criou uma geração de acomodados e egoístas, salvo as honrosas (e poucas) exceções.

O bloglog e o jornalismo de celebridades

Maio 15, 2008 by Carolina Castro

Este é um texto meu que foi postado primeiramente no blog Jornalismo na Rede. Ele discorre sobre como o bloglog, que é um blog exclusivo de celebridades e personalidades brasileiras, pode afetar o jornalismo de celebridades, também conhecido como colunismo social.

Acredito que essa ferramenta pode causar um impacto muito grande nas revistas de fofocas. Afinal, um fã agora pode ler sempre o blog do artista, não precisa mais saber das fofocas através das revistas… Enfim, vamos ao texto:

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O bloglog e o jornalismo de celebridades

Uma nova ferramenta surgiu para o “jornalismo 3.0“: o bloglog.

Apesar de não ser uma ferramenta revolucionária, que pode mudar todas as áreas do jornalismo, ela causa uma mudança significativa em um nicho: o jornalismo de variedades.

O bloglog nada mais é que um blog criado pela globo.com para ser usado por celebridades — tanto as globais quanto as demais. Por que as celebridades já não blogavam antes? Bom, isso não cabe a nós responder, mas o fato é que agora elas passaram de passivo para ativo nesse tipo de jornalismo, o de colunismo social. Explicando melhor, antes, uma atriz como Paola Oliveira era acusada de ser motivo de separação de um casal de famosos por Leão Lobo e precisava aparecer no Faustão para se defender, ou então precisava conversar com algum jornalista de confiança para ter sua versão da história publicada. Agora, basta ela postar em seu bloglog sua versão da história, que os jornalistas já vêem e reproduzem em seus respectivos veículos. Isto não é apenas uma hipótese, aconteceu de verdade. Para conferir, clique aqui.

Com o bloglog, o jornalismo de celebridades ganhou uma nova dinâmica. Agora, as celebridades também produzem material jornalístico e divulgam sua vida, espontaneamente. Elas podem se manifestar diante de um assunto público da maneira que preferirem, e os jornalistas podem checar a informação direto da fonte. Mais do que isso, elas agora podem difamar os jornalistas tanto quanto os jornalistas as difamam.

Paola Oliveira “fura” os jornalistas ao mostrar antes em seu blog o vestido que seria destaque nas revistas no dia seguinte

Mas nem tudo é perfeito. Da mesma maneira que esta é uma ferramenta útil para os famosos, ela pode ser também prejudicial.

A imprensa sempre foi boa em construir uma imagem dourada em volta das celebridades, e com o bloglog, elas podem destruir esta imagem sem nem se dar conta disso. Elas mostram que não só não são tão finas e cultas quanto pensávamos, como também provam que postam montagens toscas, escrevem tudo errado e gostam de expor a vida, como qualquer pessoa.

O exemplo de Paola pode ser usado novamente para explicar este tópico. Através de seu blog, ela mostra que escreve mal e que, provavelmente, não é tão culta quanto parece ser. Um outro exemplo muito bom é o de Dado Dolabella. Tudo bem que ele nunca foi exemplo de inteligência, mas no bloglog dele, vê-se que ele é quase analfabeto.

Esta ferramenta, por mais que seja apenas um blog, traz outra dimensão ao universo estrelado dos famosos. Ela não só aproxima o fã do ídolo, como mostra que eles são iguais (quando não piores) a qualquer um.

Final político em Duas Caras

Abril 16, 2008 by Carolina Castro

Personagem Evilásio servirá para criticar LulaA novela de Aguinaldo Silva já é marcada desde o começo por polêmicas e pela presença da política, que fica evidente agora na disputa de Evilásio, personagem de Lázaro Ramos e Juvenal, o líder comunitário e bandido interpretado por Antônio Fagundes.

Como toda novela das oito da Globo, ela toca em temas polêmicos, que nem são assim tão polêmicos. Logo no começo, houve o namoro entre o personagem Evilásio, pobre e preto, e Júlia, a riquinha branca interpretada por Débora Fallabela. Até aí, nada de novo. Não sei porque esses autores ainda acham sensacional explorar esses assuntos como o homossexualismo e o racismo. Parece que eles fazem mais o favor de manter o preconceito do que de combatê-lo, como eu acho que eles desejam.

Ok. Agora, para o gran-finale, Aguinaldo resolveu mostrar seu lado político pessoal. Em entrevista à Folha, revelou que Lázaro será eleito vereador, e deu uma clara alfinetada em Lula, sem mencionar nomes: “Esse é o destino de todo político bem intencionado, não é? Cair no populismo,virar demagogo, renegar as próprias idéias, e se aliar ao que existe de pior na política na ânsia de garantir a própria sobrevivência. Estou lembrando alguém com minhas palavras?… Evilásio vai ser eleito vereador - não vou dizer como é que ele vai conseguir isso, já que o Juvenal é favorito - e terá que rebolar muito pra não se tornar um político igual aos outros.”

Até aí, ok. Alfinetar o presidente é coisa comum… mas o que foi realmente surpreendente foi o que ele disse em seguida, sobre o final de Gioconda, fazendo uma grande promoção ao fracassado movimento político “Cansei”, que chegou a virar piada. Ela será consagrada no final da novela ao liderar um movimento chamado “Chega!”, que dará voz à classe média. Isso foi péssimo. Além disso, criticou Dilma, lógico.

“Gioconda vai fundar um movimento social intitulado “Chega!”, destinado a canalizar a revolta da classe média contra “tudo que está errado neste país”. E vai se tornar uma líder, com grande responsabilidade política. Talvez seja até lançada como candidata à Presidência por um pequeno partido, concorrendo assim com a ministra Dilma! Agora me diz: em qual das duas você votaria, na Dilma ou na Marília Pêra?… Eu, por exemplo, não tenho dúvidas, é Marília na cabeça.”

Criticar é sempre bom, mas fazer propaganda barata do movimento de amigos e apoiar algo dessa maneira num instrumento de manipulação de massa tão poderoso quanto uma novela da Globo, é sacanagem.

Kalichszteim

Fevereiro 7, 2008 by Carolina Castro

Eu sei que o tema é batido. O carnaval já passou, o carro já saiu da avenida e eu nem sei como foi o desfecho do caso, mas fato é que era óbvio que os judeus conseguiriam vetar o carro do Holocausto. Vocês viram o nome da juíza que decidiu o caso?

Juliana Kalichszteim

Bom, de uma forma ou de outra, essa polêmica era ridícula. O carnaval mostra o massacre dos índios desde que foi inventando e o dos judeus não pode, não.

Pequenos vícios

Novembro 14, 2007 by Carolina Castro

Todos sustentamos pequenos vícios para viver mais facilmente. O futebol de quarta-feira é um vício, encontrar o namorado é um vício, a novelinha de todos os dias é um vício. Fumar é um vício. Beber é um vício. Cheirar cocaína é um vício. Matar, também pode ser.

Alexander Pichushkin, o “maníaco do parque” russo, também conhecido como “assassino do tabuleiro de xadrez”, era um funcionário de supermercado regular. Como todos nós, também precisava de pequenos prazeres para tornar sua vida mais fácil, como beber uma vodca, por exemplo.

Em um belo dia, durante uma conversa com seu amigo, surgiu um assunto peculiar, talvez entre um cigarro e outro, uma vodca e outra: matar. Como seria matar alguém? Qual seria a sensação? Vamos ver como é? O amigo negou. Não havia saída. Para matar a curiosidade, Alexander matou o amigo. Foi uma sensação única, “como o primeiro amor, inesquecível” disse o russo. Desde então, foram mais de 50 mortes, todas intensamente prazerosas.

Pichushkin provou, assim, que os vícios realmente têm o poder de destruir vidas.

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Para ler mais sobre o assassino do xadrez, clique aqui.

Seguinte: saiu uma resenha minha sobre o festival Planeta Terra no site Rock de Índio. Vai lá dar uma conferida no material ;)

Ato em frente à Globo

Novembro 5, 2007 by Carolina Castro

Desculpem-me pela falta de atualização. Essa semana vou postar um texto meu que demorei tanto pra postar que já está desatualizado, mas, enquanto o texto não vem…

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Como a maioria de meus visitantes vêm aqui por causa de meus textos sobre o golpes da mída, acho que é de interesse de todos esse protesto em frente à Globo aqui em SP, na Av. Roberto Marinho (vê se pode esse nome). Não sei se irei, pois sempre perco os eventos que quero ir (minha memória não é das melhores) mas a vontade é de ir!

Se a Globo, Folha, Estado, etc, não derem nada, é quase certeza que a Record vai passar durante semanas a notícia ;)

Vamos ver se conseguimos assustar os gigantes!

O caso do mensalão mineiro

Outubro 3, 2007 by Carolina Castro

Acho que esse é uma das provas mais fortes do partidarismo midiático.

Lembro-me de que quando estourou o mensalão do PT, todo mundo fazia um estardalhaço, como se ninguém suspeitasse de uma coisa dessas. Em uma edição do Jornal Nacional, que citava as pessoas suspeitas de envolvimento no escândalo, sempre que mencionavam alguém do PT, faziam um efeito especial dramático com uma estrelinha vermelha na foto. Quando vi, achei ridículo. Não sabia se ria da breguice da Globo ou chorava pelo efeito que aquilo causaria na sociedade.

Agora que o mensalão estourou pro lado do PSDB, ouvi falar aqui e ali, li algumas matérias que não continham toda aquela emoção de quando acontece com o PT, e não passou disso.

Quando procurei por “mensalão tucano“, só encontrei algumas matérias chochas e uns blogs criticando o caso, como este meu blog.

Quando procurei por “mensalão mineiro“, só deu jornal.

Por que a mídia não rotulou de “mensalão tucano”, como de praxe? Que eufemismo é esse?

É nessas que você vê que o que escrevo aqui, o que escrevem no Sivuca, ou então o MSM - Movimento dos Sem Mídia - do Eduardo Guimarães não é puro fanatismo. Nós não estamos loucos, qurendo encontrar uma saída porque o PT é corrupto e não queremos enxergar, como nos acusam tantas vezes. Aliás, não somos nem petistas. Apenas abrimos os olhos diante dessa cortina de fumaça que a mídia faz e queremos denunciar.

Dorian Gray

Setembro 28, 2007 by Carolina Castro

Quando você passa a escrever muito, ler muito, escutar muita música, enfim, viver pela arte, começa a querer que sua vida seja uma obra de arte, tal qual Dorian Gray. Alguma coisa muda em você. Os pensamentos ficam mais profundos e as falas, mais literárias. Com uma frase, você consegue expressar várias coisas e acertar o fígado de alguém. Não é mais aquela pessoa prolixa e rasa. Vira misteriosa, criteriosa… e, também, entediada.

O melhor do Brasil é o brasileiro

Setembro 25, 2007 by Carolina Castro

Samba, caipirinha, futebol, carnaval. São várias as idéias positivas disseminadas sobre o Brasil no exterior. Para os gringos, o Brasil é um paraíso. Desde sempre, ouvimos boatos sobre a hospitalidade brasileira, as mulheres maravilhosas, a alegria do povo e as belezas naturais do país. Acontece que, ao olhar mais de perto para o país do “jeitinho”, vemos que as coisas não são bem assim.

A idéia de que o Brasil só não é uma maravilha maior que seu povo é totalmente errada. Não passa de um slogan para fazer com que o turismo melhore. Acreditar nisso é a mesma coisa que acreditar que todo mexicano é preguiçoso e todo francês, antipático. São rótulos que simplificam as características de um povo para depois classificá-lo. Quem nunca ouviu o slogan do governo atual, que alega que o melhor do Brasil é o brasileiro? Ou então, aquela música do Raul, também usada nas propagandas federais, que diz que o brasileiro não desiste nunca?

Acontece que o brasileiro aceita esses rótulos porque tem baixa auto-estima. Apesar de o brasileiro saber que não vive bem, que seus governantes são corruptos, que o país poderia estar melhor, não faz nada a respeito, além de piadas. A verdadeira serventia dos mitos sobre a população brasileira é fortalecer a característica subserviente deste povo, que agüenta todas as dificuldades e ainda ri delas. Aproveitando mais um mito, o Brasil é, e sempre foi, o país do futuro. Mas até quando?

Uma nova forma de se comunicar

Setembro 12, 2007 by Carolina Castro

É muito interessante ver o amadurecimento dos blogs. No início, a blogosfera era composta, em sua maioria, por adolescentes contando sua ida ao shopping, coisas do tipo. Ao passar do tempo, estas pessoas trocaram seus blogs por fotologs e pelo Orkut, e os blogs passaram a ter uma certa importância.

Hoje em dia, já é possível se informar apenas por blogs. É lógico que é sempre bom dar uma apurada nos fatos, mas blogs de jornalistas, como o do Azenha, o do Dom Quixote (cuja identidade é secreta) e o do Nassif, já são uma boa opção ao jornal. Nestes blogs, podemos encontrar informações que não veríamos se não fosse a internet. São jornalistas que criticam o mundo e a própria imprensa.

Mas uma coisa que me chamou muita atenção foram os blogs do jornal O Globo. São blogs de enviados especiais do jornal a países polêmicos e muito esteriotipados. Os que leio, são de jornalistas que estão na China, em Israel e no Irã.

Nestes blogs, os jornalistas mantêm uma espécie de diário de viagem, com posts que retratam com detalhes a vida e curiosidades destes países. De vez em quando, um destes posts viram notícia na versão impressa do jornal.

Através destes blogs, pude saber que há grupos neo-nazistas em Israel; como os jovens marcam encontros no Irã, onde solteiros não podem entrar em festas mistas e flertar em lugar público é proibido; e que para os chineses driblarem os chefes no trabalho, minimizam as janelas do explorer e as encaixam na área de mensagem do Outlook, assim, fica parecendo que eles estão imersos no trabalho, quando na verdade, estão se divertindo.

Enfim, estes blogs dão uma visão mais real de sociedades mistificadas por nós, mas que não são tão alienígenas como parecem.

Os blogs (e a internet como um todo) finalmente estão se firmando como mídia informativa. E, ao contrário do que se imaginava, não parecem ter vindo para tomar o lugar da mídia impressa. Se os grandes veículos souberem utilizá-los, podem se tornar grandes aliados: os custos são mais baixos que os de outras mídias, e as informações, mais transparentes. É uma nova forma de se comunicar. E, diga-se de passagem, muito mais inteligente.